Tratado de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia: Oportunidades e ameaças para a indústria têxtil brasileira

O Tratado de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em junho deste ano e que ainda depende do processo de ratificação, é um dos temas a serem debatidos na Febratex Summit, que acontece nos dias 06 e 07 de novembro no Parque Vila Germânica, em Blumenau. Para falar sobre o tema, o evento receberá, no dia 7, o especialista italiano Francesco Marchi, que foi diretor geral da Euratex, atualmente é consultor e monitora as políticas comerciais e industriais da União Europeia (UE) relacionadas a têxteis e vestuário.

De acordo com o especialista, outro possível benefício diz respeito à cadeia de valor brasileira de fios e tecidos que, a médio prazo, aproveitará o efeito da cooperação industrial aprimorada, inovações conjuntas, crescentes investimentos e acordos bilaterais entre a UE e as empresas brasileiras de têxteis e de vestuário. “Esse movimento será iniciado pelas empresas maiores ou mais renomadas nos dois parceiros. Mas, como mostra a experiência da União Europeia, as PME’s deverão seguir o mesmo caminho”, acrescenta Marchi.

Ameaças
No entanto, Marchi acredita que não são apenas oportunidades que o Brasil pode vislumbrar com o acordo. Há também algumas ameaças para as quais o mercado têxtil precisa estar atento. Entre elas, o especialista cita a “fragilidade relativa” das redes de PME’s brasileiras e europeias que precisa ser fortalecida. As formas de fazer isso, segundo sugere Marchi, são: atendendo à concorrência adicional UE-Mercosul, adaptando-se às novas regras do jogo e melhorando o conhecimento do mercado (necessidades dos consumidores, distribuição, etc.)
Mas, provavelmente, o principal obstáculo a enfrentar, de acordo com o consultor, para as indústrias dos dois países, será o atraso político na assinatura e ratificação do Acordo. “De fato, a proposta de hoje é, provavelmente, o melhor que as duas indústrias poderiam pensar para fortalecer sua concorrência internacional, mas os atrasos ou a relutância política poderiam reduzir a atração da indústria por esse acordo”, afirma.

Mercado brasileiro
Ainda de acordo com Francesco Marchi, desde que os produtos da UE oferecidos respeitem as regras de origem do TLC para se beneficiarem dos cronogramas de redução de tarifas, espera-se que as PMEs da União Europeia possam satisfazer o mercado brasileiro – visto como um mercado “europeu” para peças de vestuário com uma clara “consciência de sustentabilidade”. Além disso, o mercado brasileiro e também os outros mercados do Mercosul representam “uma oportunidade de ouro para produtos de qualidade semi-acabados, para fornecer soluções mais flexíveis e inovadoras para atender às necessidades do mercado local.

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francesco-marchi

Sobre Francesco Marchi
Francesco Marchi é italiano, mestre em economia pela Universidade Católica de Louvain (Bélgica). Passou 35 anos de sua carreira no setor têxtil e de vestuário, começando na área de pesquisa e marketing e posteriormente gerente assistente de produto em um dos três maiores grupos têxteis belgas. Durante este período adquiriu um profundo conhecimento das políticas da União Europeia e comércio internacional de produtos têxteis e de confecção (regras e negociações da OMC, regras de origem, questões de acesso ao mercado, negociações do Tratado de Livre Comércio); a política industrial da UE e a transformação da indústria (transformação industrial, alargamento da UE, impactos econômicos, sustentabilidade etc.) trabalhando para organizações de lobby de tecidos e roupas da UE como Comitextil e Euratex desde 1989.

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