Febratex Summit encerra primeira edição em Blumenau

Em dois dias, a primeira edição do Febratex Summit registrou um público de cerca de 500 pessoas, que participaram de 33 palestras sobre inovação, alta performance, mudança geracional, novas tecnologias, processos disruptivos e cases de sucesso para desenvolver e transformar o setor têxtil. O evento foi promovido pelo Febratex Group, uma das principais promotoras de feiras têxteis na América Latina. Na avaliação do diretor de marketing do Febratex Group, Diomar Sartor, o evento foi um sucesso. “Conseguimos cumprir com o propósito do evento, que era gerar conexões e conteúdo para qualificar cada vez mais os profissionais da indústria têxtil brasileira, trazendo conceitos de alta performance”.

Giordana Madeira, diretora executiva do Febratex Group, informou que o público respondeu positivamente às palestras apresentadas, que contaram inclusive com palestrantes europeus trazendo cases de sucesso que podem ser aplicados aqui no Brasil. “Esse reconhecimento dos participantes já garantiu a realização da próxima edição do Febratex Summit para 2021, novamente aqui em Blumenau”, afirmou.

 

SUSTENTABILIDADE NO GRUPO MALWEE

O segundo dia do Febratex Summit começou com palestra de Taíse Beduschi, do Grupo Malwee, sobre sustentabilidade – a conexão entre a responsabilidade social e a estratégia de negócios. A empresa nasceu como Firma Weege, em 1906 e, segundo Taíse, desde a fundação, o Grupo Malwee já investe na comunidade do entorno, em ações voltadas para cultura, meio ambiente, educação e esportes. Há cinco anos, com a participação de 114 pessoas, foi idealizado o Plano de Sustentabilidade da empresa. O plano contempla toda a cadeia, desde o desenvolvimento do produto, até o pós-uso.

 

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

O sucesso sustentável através da inteligência emocional foi o tema abordado por Adriana Rutzen, da Evolução Essencial. “Tudo começa com uma reconexão consigo mesmo, para que possamos entender o que nos motiva mais profundamente e como podemos contribuir com a sociedade”, explicou. Os próximos passos são reconexão com o outro e com o todo. Adriana apontou que as habilidades de inteligência emocional são essenciais para líderes e profissionais do futuro. “Quando falamos em sucesso sustentável, outro elemento fundamental é a felicidade. Um colaborador feliz é um colaborador mais engajado e mais produtivo”, acrescentou. Uma das ferramentas sugeridas pela especialista para gerir melhor as relações é o mindfulness, adotado por diversas empresas.

 

MODA SUSTENTÁVEL

Amélia Malheiros, do SCMC, apresentou o Lab Moda Sustentável, uma plataforma multissetorial de colaboração e inovação, composta por 40 lideranças, que quer abordar e transformar os principais desafios do mundo da moda no Brasil. Na primeira fase, o Lab Moda construiu um conjunto de cenários transformadores, possíveis de acontecer. “Está na força e na união do setor a possibilidade de transformar e os indutores desse processo somos nós”, afirmou. O grupo também construiu um mapa sistêmico e pontos de alavancagem contemplando desigualdades, políticas públicas, ciclo de vida do produto, cultura e consumo, educação e modelo de negócios. Os participantes foram divididos em seis grupos e estão trabalhando em diversas iniciativas.

 

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Como o PLM e a inteligência artificial estão revolucionando a indústria da moda foi o tema apresentado por Thiele Biff, da Coleção.Moda. Ela mostrou exemplos de uso da IA na moda, como o caso da americana Stitch Fix. Sobre o PLM, que está chegando ao Brasil, segundo Thiele, a ideia é fazer toda a gestão da coleção, permitindo que o estilista tenha todas as informações em um único ambiente. “Não é fácil revolucionar a nossa indústria. Mas há muitas oportunidades nascendo”, observou.

 

MUDANÇA OPERACIONAL NA PIZARRO S.A

Com a mediação de Adriana Rutzen, Vasco, diretor da Pizarro S.A e Manuel Pizarro, fundador da empresa, apresentaram as mudanças que a companhia portuguesa passou nos últimos anos, com a visão de duas gerações familiares completamente diferentes no mundo dos negócios. Ciente de que as gerações mais jovens estão trazendo inovação e novas tecnologias para o mercado nacional e mundial, a empresa decidiu reformular a sua gestão operacional. “Desde o início, em 1983, o nosso objetivo sempre foi inovar. O mundo da moda está cada vez mais exigente e competitivo, por isso, sem perder o foco principal do negócio, as gerações mais antigas da empresa passaram a ouvir os jovens, para que a empresa continue crescendo e evoluindo junto com o mercado”, destaca Manuel Pizarro, fundador da Pizarro S.A.  Por último, Vasco Pizarro aponta que a confiança, transparência e a paixão são princípios que regem o negócio familiar. “São fundamentais para o sucesso do nosso negócio ao longo de nossa trajetória”, concluiu.

 

INOVAÇÕES E INVESTIMENTOS DA TINTEX, COM ANA SILVA

Ana Silva, Head de Sustentabilidade da Tintex, apresentou as inovações e investimentos em novas linhas de tecnologia que a empresa portuguesa está trazendo para o mercado mundial nos últimos anos. Preocupada com a sustentabilidade e sempre buscando melhores práticas para o mercado têxtil, a empresa investe constantemente em novas tecnologias, inovando na forma de produção e tecido. “Inovamos na questão tecnológica, por isso, nós queremos mostrar ao mundo que a nossa empresa possui novas formas de produzir, sempre preocupada com o ecossistema em que vivemos”, destacou Ana.

 

ASAP – AS SUSTAINABLE AS POSSIBLE, AS SOON AS POSSIBLE

Diretora do Instituto-E, Nina Braga apresentou o movimento ASAP – As Sustainable As Possible, As Soon, As Possible –, traduzido para o português como “o mais sustentável possível, o mais rápido possível”. O conceito incentiva as pessoas a pensarem na sustentabilidade e no futuro do planeta.

Criado pela marca Osklen, o Instituto-E desenvolveu um projeto que tem o objetivo de usar a moda a favor do planeta, com início na Amazônia. “O nosso objetivo é aumentar a renda das famílias da região e ajudar a preservar a floresta. Com o projeto, a pele do peixe Pirarucu começou a ser utilizada pela indústria da moda. A pele era descartada, e hoje, cerca de 48% dos acessórios de couro da marca já são produzidos com a pele do peixe. Além disso, a comercialização da carne do peixe já rendeu mais de R$ 8 milhões para os ribeirinhos da Amazônia”, revelou Nina.

 

 

MODELO DE NEGÓCIOS PARA A ECONOMIA CIRCULAR

Representando o Grupo Soma – detentor da marca FARM, Pedro Horta explicou sobre o modelo de negócios para a economia circular. Com informações da própria rede de lojas, ele compartilhou com o público presente como o grupo carioca está revolucionando a moda, desde a relação com a sustentabilidade até a forma de venda em todo o território brasileiro. “Dentro da FARM nós sempre pensamos como poderíamos contribuir para o ecossistema do planeta, diminuindo o impacto ambiental que a produção têxtil pode gerar. Por esse motivo, o grupo desenvolveu maneiras de diminuir os danos, trazendo a sustentabilidade para os processos, reutilizando produtos e insumos para desenvolver novos”, comentou Horta.

 

A INDÚSTRIA TÊXTIL 2020 A 2030

Trazendo as principais tendências da indústria têxtil de 2020 a 2030, o presidente do Valérius Group, José Manuel, explicou como a empresa se adequou às transformações da indústria ao longo dos últimos anos. “A indústria têxtil, se quer sobreviver, precisa aderir às novas tecnologias, inovações e processos mais sustentáveis que estão revolucionando o modo como fazemos e pensamos inúmeros setores da economia mundial”, afirmou Manuel, que ainda ressaltou que as empresas terão grandes oportunidades no futuro: “As oportunidades virão, porém, as empresas precisam aplicar práticas mais sustentáveis aos seus processos de produção”, revelou.

 

CONFECÇÃO: EFICIÊNCIA E SUSTENTABILIDADE

Miguel Pedrosa Rodrigues, da Pedrosa & Rodrigues, empresa de artigos para o vestuário, compartilhou com o público presente os pilares para que as empresas têxteis tenham uma gestão mais eficiente e sustentável na confecção. Rodrigues apresentou como a empresa está caminhando para alcançar tal eficiência e a inserção da sustentabilidade em seus processos. “Desde investimentos em modernização e automação, formação e trabalho mais qualificado, investimentos na qualidade da gestão e abertura as novas gerações, fazem parte do processo para alcançar melhores resultados na indústria”, comentou Rodrigues.

 

NOVAS TECNOLOGIAS PARA ESTAMPARIA ROTATIVA

Marco Sales, da SPGPrints, empresa de origem holandesa e patrocinadora target do Febratex Summit, apresentou no evento as novidades e inovações para o mercado de estamparia rotativa. Sales explicou o processo de fabricação dos cilindros, a funcionalidade, os benefícios e entre outras características importantes para o setor. “Hoje em dia existe a necessidade do modo convencional se aproximar do digital, visto que é possível alcançar uma qualidade superior, mais agilidade, além dos custos mais baixos”, destacou Sales.

 

INOVAÇÃO NA PIZARRO WISER

Vasco Pizarro apresentou a Pizzaro Wiser, novo projeto que surgiu da Pizarro S.A, empresa da família. A novidade tem o objetivo de continuar levando inovação para o setor têxtil, com mais sustentabilidade, qualidade de confecção, e outras vantagens para o mercado. “Com o projeto, podemos pegar um produto que seria descartado e transformá-lo em um novo, desenvolvendo assim mais sustentabilidade e incentivando a reutilização de peças”, afirmou Pizarro.

 

ECOSSISTEMA CIRCULAR NA CADEIA DE FORNECIMENTO

Patrocinadora Premium do Febratex Summit, a Renner apresentou o painel Ecossistema circular na cadeia de fornecimento, com a participação de Claudio Ballei Junior, José Guilherme Teixeira e Weber Amaral.

José Guilherme, da empresa Cotton Move, explicou como a empresa desenvolveu produtos reciclados, circulares e sustentáveis. “No início foi bastante complicado, mas nós conseguimos. Hoje nossa logística é reversa, nós coletamos o resíduo da mesa de corte, fazemos uma nova massa de fios, onde é feita a tecelagem e aí, fazemos um novo jeans, o mesmo é enviado para as confecções, e assim o ciclo se reinicia”, explicou.

Claudio Junior, da Renner, explicou sobre a parceria com a Cotton Move. “Nosso maior desafio era dar destino a 26 toneladas de tecidos por mês. E, então, o melhor caminho foi a parceria com a Cotton Move, onde conseguimos destinar estes tecidos para que os mesmos fossem utilizados novamente por meio do projeto Re Jeans”, contou.

Além disso, eles explanaram a importância de mudar a moda e de transformar o modo como a ela é consumida no mundo.

 

MERCADO DE LUXO

Enrico Cietta, da Diomedea, apresentou em sua palestra quais aspectos devem ser levados em consideração no mercado de luxo. Cietta iniciou comentando que a empresa é a única especializada em inteligência e modelos de negócio no mercado da moda. O empresário explicou o caminho que uma empresa de moda de luxo deve trilhar para criar valor agregado:

– Primeiro deve-se pensar na cadeia de fornecimento, onde não é preciso entregar apenas valor material, mas sim, o fornecedor deve fazer parte da cadeia de valor. Segundo, é o canal de venda: as lojas não são apenas pontos de vendas, são onde o valor agregado é construído, onde o cliente terá a sua experiência. O terceiro ponto é a capacidade de entregar valor final ao cliente. As empresas devem ter uma conexão com o cliente final, e ele deve ter uma relação com a marca. O quarto e último ponto é a personalização do produto e da experiência, onde o consumidor se torna, em parte, o designer do seu próprio produto -, contou Cietta.

 

POTENCIAL DA MODA BRASILEIRA

O empresário Cristiano Buerger, da empresa Tecnoblu, apresentou sobre o potencial da moda brasileira para ser protagonista no mundo. Buerger iniciou fazendo uma reflexão sobre como o Brasil é rico em produtos naturais. O empresário explicou alguns pontos que mostram como o país é um potencial da moda e que pode ser protagonista no mundo neste segmento:

– O Brasil precisa de maior cooperação. É preciso levantar e tentar fazer diferente. Somente assim será possível mudar itens que dificultam que o nosso país cresça em diferente ramos -, comentou.

Para finalizar, Buerger comentou que é preciso definir estratégias, quais são as frentes que devem ser prioridades. Assim, é possível atuar em conjunto.

 

O FUTURO É AGORA

Matheus Diogo Fagundes, da empresa Audaces, patrocinadora advanced do Febratex Summit, falou sobre criação 4.0 em sua palestra. Fagundes explicou como produzir para atender o consumir. “É preciso ter planejamento, tempo, criação e máquinas, de forma que o valor possa ser medido”, comentou. Ainda durante sua apresentação, o empresário mostrou como funciona a cadeia de moda dentro da Audaces, por meio da solução Audaces360.

 

OPORTUNIDADES E AMEAÇAS PARA O SETOR TÊXTIL

Francesco Marchi, Textile Expert, falou sobre o Tratado de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia. O Tratado de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em junho deste ano, ainda depende do processo de ratificação. Marchi explicou que, a partir do acordo, as empresas brasileiras terão uma oportunidade fantástica de criar ou acessar novos nichos de mercado e atender a solicitações específicas da UE. “A crescente competitividade dos produtos têxteis brasileiros enviados para a União Europeia resultante do declínio das tarifas garantidas no Tratado de Livre Comércio e do respeito às regras de origem, representa a principal oportunidade para que essa indústria lucre com a dimensão e diversidade dos mercados europeus”, apontou.

De acordo com o especialista, outro possível benefício diz respeito à cadeia de valor brasileira de fios e tecidos que, a médio prazo, aproveitará o efeito da cooperação industrial aprimorada, inovações conjuntas, crescentes investimentos e acordos bilaterais entre a UE e as empresas brasileiras de têxteis e de vestuário. “Esse movimento será iniciado pelas empresas maiores ou mais renomadas nos dois parceiros. Mas, como mostra a experiência da União Europeia, as PMEs deverão seguir o mesmo caminho”, finalizou.

 

OPINIÃO DO PÚBLICO

O público presente no segundo dia do Febratex Summit pode conhecer as inovações e tendências do mercado, bem como cases de sucessos de grandes empresas têxteis, inovação, business e sustentabilidade.  De acordo com o jornalista, criador de conteúdo e especialista em moda masculina e comportamento, Lucca Koch, eventos como esse são de grande relevância pois trazem assuntos de forma aberta e com ricas informações. “Mergulhamos durante o Febratex Summit em assuntos extremamente pertinentes, como a sustentabilidade com um processo cada vez mais transparente”.

Koch ainda afirmou que o consumidor está mudando, e a indústria têxtil precisa acompanhar essa evolução e revolução com urgência. “O futuro é agora, como bem disseram durante o evento, e ele está atrasado. O propósito precisa ser mais ecossustentável, onde o luxo está em agregar ética e estética. No Febratex Summit, vi que a moda, mesmo sendo uma das indústrias que mais poluem o meio ambiente, também vem criando e desenvolvendo iniciativas agregadas a tecnologias que reduzem esse impacto”, comentou.

 

PATROCINADORES E APOIADORES

Lojas Renner e Silmaq são Patrocinadoras Premium. A Epson e Audaces são Patrocinadoras Advanced, e Lectra, Golden Technology, SPGPrints e Cia Hering, Patrocinadoras Target. Color Química do Brasil e TNS são empresas parceiras. O evento também é apoiado por: Sintex, Fundação Hering, SCMC, ABVTEX, ATP (Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal), Instituto-E, Istituto di Moda Burgo, Senai, Unisinos Moda, Universidade Feevale, FURB, UFSC, Cordontextil, Fashion Innovation Bureau, FIESC, CIESC, OAB-SP, Sinvest, Abimaq, Abit, ABTT, SindRoupas CE, Sindconfecções CE, Sinditêxtil CE, ASCAP, ACIT, ACIC, AMPE, FAMPESC, Unimed Blumenau, Expotextil Perú, Pesponto, Plastic Concept, Hug Infláveis, Blumenau e Vale Europeu Convention & Visitors Bureau.

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