Como desenvolver um operação sustentável nas confecções

O que faz uma confecção sustentável? Quais os pilares da sustentabilidade? Para esclarecer sobre estes pontos e contar sobre sua experiência no tema,  Miguel Pedrosa Rodrigues, arquiteto e membro da Pedrosa & Rodrigues SA, de Portugal, vem a Blumenau palestrar no Febratex Summit, que ocorre nos dias 6 e 7 de novembro. O Fórum de conhecimento reunirá os principais líderes do mercado têxtil nacional e internacional e tem como propósito promover o conhecimento, apresentar tecnologias, indicar caminhos para a digitalização da indústria têxtil brasileira e torná-la ainda mais competitiva no mercado globalizado.
O que caracteriza uma confecção sustentável?
A confeção sustentável tem de providenciar soluções na vertente ambiental, social e energética. Estas três vertentes juntas são a base para uma operação e produtos sustentáveis. A esta fórmula, podemos adicionar outros fundamentos, como o modelo de operação e estratégia corporativa. Diria que a sustentabilidade é a combinação, caso a caso, de todos estes fatores. 
– Quais são os pilares da gestão eficiente e sustentável na confecção?
Em minha opinião, os pilares de uma gestão eficiente e sustentável na confecção são: 
1) Estratégia e cultura da empresa – sem um caminho e liderança claras, que fomentem uma visão de longo prazo, e que coloquem as pessoas no centro da empresa, a sustentabilidade ficará sempre comprometida.
2) Otimização constante da operação – nunca podemos parar de investir em evolução de processos e tecnologia. O ideal aqui é ser proativo e não reativo.
3) Modelo de negócio – tem  que incluir design, pesquisa e desenvolvimento e outras áreas como logística por exemplo. O modelo não pode consistir em vender minutos em operações de corte e confecção. Há que encontrar vetores por onde acrescentar valor às marcas para quem produzimos.
4) Meio Ambiente – minimizar ao máximo a pegada ambiental e utilização de recursos naturais, promovendo soluções de circularidade ou no mínimo não afetar o potencial de reciclagem e reaproveitamento.
5) Benefício Mútuos – o negócio tem de ser bom para todos os envolvidos – sem um negócio em que todos ganhem a sua justa parte, a sustentabilidade não é possível.
– Para as confecções que desejam se aprimorar nessa área, por onde começar?
Assumindo que a estratégia e cultura da empresa já existem de uma forma bem orientada, eu sugiro promover esforços na área da otimização da operação e na área da pesquisa e desenvolvimento. Estas duas áreas serão a base para o crescimento da empresa relativamente à eficiência e sustentabilidade.
– Como Portugal está posicionado nessa área? 
No que tange à Sustentabilidade, Portugal como país e como setor têxtil, está no pelotão da frente. Somos um país com boas políticas e sistemas de sustentabilidade ambiental, social e energética. E as empresas do segmento têxtil estão, de uma forma geral, num patamar de maturidade e sofisticação muito elevado. Em particular na área da Sustentabilidade, acredito que Portugal é um player de referência.
– Como você vê a indústria têxtil brasileira no momento? Quais os principais desafios?
Diria que o potencial é enorme. O mercado é muito grande e diversificado, com potencial para ser autossustentável. Existem também muito bons exemplos de marca própria, que, por exemplo, em Portugal são mais difíceis de implementar, pela falta de escala das empresas e pela falta de escala do próprio mercado interno. Como mercado, o Brasil tem ainda muito espaço para evolução e essa é talvez a sua maior força neste momento. O seu maior desafio será talvez acompanhar o ritmo de inovação de outros mercados referenciais.
Febratex Summit 

O Febratex Summit será um fórum de conhecimento que reunirá os principais líderes do mercado têxtil nacional e internacional, tem como propósito promover o conhecimento, apresentar tecnologias, indicar caminhos para a digitalização da indústria têxtil brasileira e torná-la ainda mais competitiva no mercado globalizado. Apresentará cases de sucesso divididos em três trilhas de conteúdo: Inovação, Business e Sustentabilidade, com palestras, painéis e exposição de startups com soluções para o setor têxtil. Com mais de 25 convidados renomados da área têxtil, sendo dez internacionais, os participantes terão a oportunidade de conhecer novas ideias e modelos de negócio, ter contato com tecnologia e conhecimento científico na era da digitalização. 

Além de Miguel Pedrosa, o evento reunirá grandes nomes como Paulo Vaz, diretor geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP); Ana Tavares, da Tintex; Manuel Pizarro e Vasco Pizarro, da Pizarro S.A; comendador José Manuel Ferreira, da Valerius Group; Braz Costa, da Citeve; e Stéphan Verin, da UP-TEX.

Os ingressos são limitados e estão à venda em sympla.com.br/febratexsummit

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